SAÚDE

HIV na gravidez: transmissão e cuidados

31 de janeiro de 2018 , por Equipe Danone Baby

A mulher soropositiva pode engravidar e ter o bebê com pouquíssimos riscos de transmitir o HIV. Para isso, é preciso fazer o tratamento adequado.


Quem recebe um diagnóstico de HIV fica muito assustado e teme o pior. Certas mulheres portadoras do vírus da imunodeficiência humana acreditam que não é seguro engravidar e que seus sonhos de conceber foram por água abaixo. Porém, ainda que a condição seja séria, é possível ter uma gestação e parto seguros.

Mulher em consulta sobre HIV na gravidez

A primeira coisa a fazer após receber um diagnóstico de HIV é se informar. O tratamento deve ser iniciado o quanto antes para que a gestação corra tranquila e saudável.

Qual a diferença entre HIV e AIDS?

O diagnóstico de HIV assusta pois a primeira coisa que vem à cabeça é a AIDS. Ainda que o HIV seja o vírus causador da doença, é preciso saber a diferença entre ser portador do vírus e desenvolver um quadro grave.

O HIV é um vírus que danifica as células do sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo. Por consequência, enfraquece sua capacidade de combater infecções e doenças, como gripes e resfriados.

Quando o sistema imunológico é gravemente danificado pelo HIV, o organismo pode desenvolver a AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida), uma série de infecções e doenças potencialmente fatais.

Na década de 1980, a condição ficou famosa pois se tornou pandêmica, contaminando milhões de pessoas. Como os tratamentos eram poucos eficazes, era provável que alguém com HIV desenvolvesse AIDS. Hoje, no entanto, existem medicamentos que combatem a quantidade de vírus no organismo para evitar que o sistema imunológico seja gravemente prejudicado.

A transmissão do HIV

O HIV se aloja nos fluidos corporais do indivíduo, como sangue, leite materno, sêmen e secreções vaginais e anais. O vírus é frágil e não sobrevive por muito tempo fora do corpo. Por isso, não pode ser transmitido pelo suor, urina ou saliva. Beber no mesmo copo de uma pessoa portadora, por exemplo, não traz risco de transmissão.

O HIV pode ser transmitido de duas formas: horizontal ou vertical. A primeira pode ocorrer quando há sexo vaginal ou anal sem preservativo, ou pelo compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas. Já a transmissão vertical é a que pode ocorrer entre a mulher o bebê durante a gestação, parto ou aleitamento materno.

Como prevenir a transmissão vertical

Durante o pré-natal, a gestante deve fazer o exame de sangue que detecta doenças sexualmente transmissíveis, como o HIV. O Ministério da Saúde recomenda que o teste seja feito já na primeira consulta e no terceiro trimestre da gravidez. O diagnóstico também pode ser feito durante o parto, mas isso só deve ocorrer em casos extremos, quando a mulher não teve acesso ao pré-natal.

Para evitar a transmissão durante a gravidez e parto, a gestante deve dar início ao tratamento com medicamentos antirretrovirais indicados pelo médico. Os remédios são ingeridos diariamente e combatem o vírus. Infelizmente, não é possível eliminá-lo totalmente do organismo e curar a doença. Mas sua quantidade pode ser reduzida a ponto de não prejudicar o funcionamento do sistema imunológico. Quando isso acontece, o paciente chegou à “carga indetectável” — o que também significa que as chances de transmissão do HIV serão muito menores.

A mulher  soropositiva (portadora do HIV) que não recebe o tratamento adequado durante a gestação tem 25% de chance de transmitir o vírus durante a gravidez ou parto. Quando ela segue as recomendações do médico e ingere os remédios, as chances caem para menos de 1%, segundo o Ministério da Saúde.

A gestante soropositiva pode amamentar e ter parto normal?

A amamentação não é recomendada, mas o médico que acompanha a mãe será o responsável por indicar qual a melhor forma de alimentar o bebê. De acordo com a Unicef, a gestante HIV positivo deve ter sua lactação inibida logo após por parto por enfaixamento dos seios ou uso do inibidor de lactação. No entanto, deve receber apoio da família e da equipe de saúde para não se sentir discriminada ou deprimida. A mulher pode não amamentar do próprio seio, mas pode nutrir o bebê com alimentos saudáveis, dando amor e carinho.

Já o parto normal pode ser feito quando a gestante atingiu a carga indetectável do vírus no organismo. O tipo de parto mais indicado vai depender do estado de saúde da mãe e de uma série de fatores além do HIV.

Tratamento após o parto

Após o parto, a gestante irá continuar com o tratamento antirretroviral. Como o HIV não tem cura, ela deverá tomar os remédios diariamente para o resto da vida. Já o bebê será testado para detectar a presença do vírus e será medicado por um período após o nascimento — provavelmente durante cerca de quatro semanas.



Referências bibliográficas

Bibliografia: Ministério da Saúde (“É possível ter uma gravidez saudável mesmo com AIDS”)
Unicef (“Como prevenir a transmissão vertical do HIV e da sífilis”)
Buckinghamshire Healthcare (“HIV in pregnancy”)
Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra – NHS (“Can HIV be passed to an unborn baby in pregnancy or through breastfeeding”)


Tags: HIV

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