Descolamento de placenta: por que acontece e quais os riscos

SAÚDE

Descolamento de placenta: por que acontece e quais os riscos

08 de novembro de 2017, por Equipe Danone Baby

A condição, mais comum no segundo trimestre de gestação, é grave e inspira cuidados intensos


A placenta é o nome dado para o órgão vascular responsável por transmitir todos os nutrientes e oxigênio da mãe para o bebê através do sangue. Além disso é responsável por eliminar o dióxido de carbono e os resíduos de nitrogênio produzidos pelo feto durante os 9 meses de gestação. Ela só existe durante a gravidez e, além das funções citadas acima, também secreta hormônios fundamentais para o desenvolvimento fetal e funciona como uma bolsa que aconchega o bebê dentro do útero.

descolamento de placenta

Apesar de toda a importância, um dos problemas mais recorrentes durante a gravidez é o descolamento de placenta. De acordo com estudo científico divulgado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, estima-se que a ocorrência seja de 1% em todo o mundo, sendo que um quarto dos óbitos de recém-nascidos são ocasionados pelo descolamento de placenta. Saiba mais sobre o assunto:

  1. O que exatamente é o descolamento de placenta?

O descolamento de placenta pode ser caracterizado como o desprendimento prematuro da superfície do órgão com o útero materno. O problema é grave e geralmente acontece por volta da 20ª semana de gestação, que corresponde ao 5º mês, segundo trimestre de gravidez.

  1. Descolamento de placenta sempre sangra?

A principal forma de identificar o descolamento prematuro da placenta é devido ao  sangramento vaginal, que ocorre em 70% dos casos, com intensidade e cor variáveis. O sangramento pode ser de três tipos: hemorragia exteriorizada, isto é, quando o sangue sai pelo orifício da vagina; hemoâmnio, quando o sangue pode alcançar a cavidade amniótica, onde está presente o líquido amniótico, que envolve o embrião; e o sangramento retroplacentário, que não é visível por estar retido atrás da placenta. Nesses dois casos, exames de imagem fazem a detecção.

Além disso, outros sinais que geralmente aparecem quando se trata de um descolamento placentário é dor abdominal muito intensa e de início súbito; contração intensa e por um período prolongado, acarretando uma maior extensão do útero; começo de trabalho de parto prematuro; suor excessivo; palidez; taquicardia e ausência de tecido placentário localizado próximo ao orifício interno do colo do útero.

  1. O que causa o descolamento prévio de placenta?

O descolamento de placenta pode ser caracterizado de duas formas quanto às suas causas: o traumático e o não-traumático. O primeiro, conforme o próprio nome sugere, também pode ser chamado de mecânico e diz respeito ao problema que pode aparecer em decorrência de traumas tanto externos, quanto internos. Acidentes de carro, casos de violência doméstica e quedas são fatores externos que sinalizam perigo e podem ser responsáveis pelo descolamento. No caso de traumas internos, pode -se citar o cordão umbilical curto, o escoamento rápido do líquido amniótico, movimentação excessiva do bebê, retração do útero após o primeiro parto caso tenham sido gêmeos; e contrações uterinas antes da data prevista para o início do trabalho de parto.

Quando se trata de causas não-traumáticas, a hipertensão é uma das principais motivações, presente em 75% das ocorrências. A idade materna avançada; descolamento em gestações anteriores; inflamação das membranas que envolvem o bebê devido a uma infecção bacteriana; gestações de gêmeos; diabetes melito; tabagismo; alcoolismo e uso de drogas também podem ser fatores de risco.

  1. Como diagnosticar descolamento de placenta?

O diagnóstico é clínico, ou seja, o médico irá avaliar as queixas apresentadas pela gestante. Outra forma de comprovar o diagnóstico de descolamento de placenta é através do ultrassom, para verificar as condições de saúde do bebê e identificar o tamanho do hematoma da placenta.

  1. Como cuidar do descolamento de placenta? Qual é o tratamento? É necessário repouso?

É importante ressaltar que o problema é considerado grave e a gravidez é de risco nessas condições, portanto, a gestante deve ser encaminhada ao serviço de urgência das unidades hospitalares. O tratamento depende da gravidade da situação e do estado de saúde materno e da criança. Se a gestante já ultrapassou a 26ª semana de gestação e o descolamento é severo, alguns especialistas podem indicar a realização do parto. O repouso absoluto é indicado caso o descolamento não seja tão grande ou quando não há possibilidade de a mãe parir – gestações com menos de 26 semanas. Quando o sangramento cessa, a gestante poderá voltar a realizar suas atividades, mas sem esforço e seguindo à risca as recomendações médicas.

  1. Qual é o maior perigo do descolamento de placenta?

O descolamento de placenta não é considerado uma emergência médica à toa: o maior perigo, neste caso, é a morte da mãe ou do bebê. E até mesmo quando o parto é realizado, seja por indução ou não, o pós-parto pode também ser complicado, com risco de hemorragia materna.

No bebê, as principais complicações podem ser: baixo peso ao nascer; nascimento prematuro, sequelas no desenvolvimento infantil acarretadas pela falta de oxigenação e, em casos mais graves, sofrimento fetal e até a morte.

  1. Como prevenir o descolamento de placenta?

Não há como prevenir o descolamento de placenta, exceto em casos quando o hematoma surge pelo consumo de álcool, tabaco ou outros tipos de drogas. Entretanto, é fundamental que o diagnóstico seja feito o mais rápido possível de forma a preservar tanto a saúde da mãe quanto a do bebê e a evitar que surjam complicações mais sérias.



Referências bibliográficas

“Gestação de alto risco – Manual Técnico” – Ministério da Saúde – Secretaria de Políticas de Saúde – Departamento de Gestão de Políticas Estratégicas – Área Técnica de Saúde da Mulher.

“Descolamento prematuro da placenta” – Revista da Associação Médica Brasileira, Junho de 2006.

“Descolamento prematuro da placenta” – Rotinas Assistenciais da Maternidade-Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“Urgências e emergências no pré-natal” – Prefeitura de São Paulo.

“Descolamento prematuro de placenta – Útero de Couvelaire” – Hospital de Clínicas – Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

“Descolamento prematuro de placenta” – Artigo de revisão da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.