Cinta modeladora: uso pode atrapalhar retomada da elasticidade da pele

SAÚDE

Cinta modeladora: por que o uso pode atrapalhar a recuperação da elasticidade da pele

24 de fevereiro de 2018, por Debora Stevaux

Apesar da tradição, não há evidências científicas que comprovem eficácia da cinta modeladora na redução da flacidez


Não importa quantos quilos a mulher ganhou ou se o parto foi normal ou cesárea: as transformações que o corpo feminino sofre durante os nove meses de gestação são viscerais.

A alteração mais visível acontece na região da barriga, que demora um  bom tempo para “desinchar”, com a volta dos músculos e órgãos aos devidos locais. É de pouquinho em pouquinho que o corpo da mãe vai expelindo esse inchaço por meio do suor e da urina, até que o útero volte ao seu tamanho normal.

É com o intuito de acelerar o processo de “voltar ao corpo de antes” que muitas mulheres optam pelo uso da cinta modeladora. (Foto: iStock)

O processo é resultado da ação hormonal, que tanto age para deixar os tecidos conjuntivos do abdômen mais molinhos durante a gestação como para a produção de colágeno que ajuda o corpo a retomar a elasticidade após o parto.

É com o intuito de acelerar o processo de “voltar ao corpo de antes” que muitas mulheres optam pelo uso da cinta modeladora. No entanto, não há evidências científicas que comprovem que o uso do acessório ajude o útero a involuir e, consequentemente, a desinchar a barriga da mãe. Pelo contrário. Há pesquisas que apontaram que a utilização da cinta pode causar o efeito inverso, por reduzir a dimensão das fibras.

Quando usar a cinta

Alguns especialistas sugerem o uso da cinta pós cesárea, visto que algumas mulheres podem se sentir muito incomodadas com os pontos e ter a impressão de que os órgãos da parte inferior da pélvis estão um pouco ‘soltos’. Outros não indicam porque a ação compressora do produto pode dificultar o fluxo sanguíneo e dificultar a movimentação dos órgãos.

Por isso, antes de fazer o uso da cinta modeladora, vale consultar o médico para receber orientações precisas de acordo com o tipo de organismo, desenvolvimento da gestação e processo de parto. Usar sem recomendação pode prejudicar a recuperação após o parto.



Referências bibliográficas

Ordem dos Enfermeiros de Lisboa – “Utilização de cinta durante o puerpério”.

Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – “Diástase dos retos abdominais em puérperas e sua relação com variáveis obstétricas”.