Por que não pode dar água, chá ou suco para o recém-nascido?

NUTRIÇÃO

Por que não pode dar água, chá ou suco para o recém-nascido?

29 de maio de 2018, por Equipe Danone Baby

O que era considerada uma prática inofensiva até alguns anos atrás, hoje, é contraindicado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde.


De acordo com diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a criança deve ser amamentada exclusivamente do leite materno até que complete seis meses de idade. Esse é o primeiro dos 10 passos para a alimentação saudável durante a primeira infância, estabelecidos pelo Ministério da Saúde/Organização Pan-Americana de Saúde e pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que constam no Manual de Orientação – Departamento de Nutrologia, da SBP, sobre alimentação.

O que era considerada uma prática inofensiva até alguns anos atrás, hoje, é contraindicado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde. (Foto: iStock)

O documento orienta a não oferecer água, chás e quaisquer outros alimentos para bebês de até seis meses de idade. Isso porque o leite materno possui a quantidade ideal de água e de outros nutrientes e vitaminas essenciais para o desenvolvimento adequado do bebê nessa faixa etária. Além disso, o sistema gastrointestinal do bebê com essa idade ainda não desenvolveu todos os anticorpos e bactérias necessários para digestão de outros alimentos que não sejam o leite materno.

A suplementação da amamentação com água ou chás nos primeiros seis meses não é indicada, mesmo em locais secos e quentes, afirma o Ministério da Saúde, com base em estudo realizado sobre o assunto. Mesmo ingerindo pouco colostro – primeiro líquido que sai das mamas – nos primeiros dois a três dias de vida, recém-nascidos normais não necessitam de líquidos adicionais, pois nascem com níveis de hidratação tecidual relativamente altos, destaca o Ministério da Saúde.

Após os seis meses, a introdução de alimentos deve ser feita de forma lenta, gradual e complementar à amamentação, a qual deve seguir até que a criança complete dois anos ou mais.

A amamentação exclusiva durante os primeiros 06 meses de vida, traz ao bebê alguns benefícios, sendo alguns exemplos deles:

  • Redução dos níveis de mortalidade infantil

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cerca de 6 milhões de vidas de crianças estão sendo salvas a cada ano devido ao aumento das taxas de amamentação exclusiva. Isso graças à proteção do leite materno contra infecções. Estima-se que a mortalidade por doenças infecciosas é seis vezes maior em bebês com idade inferior a dois meses que não são amamentadas

  • Prevenção contra o surgimento de diarreia

Segundo o Ministério da Saúde, há fortes evidências de que o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade tem medida protetiva contra o surgimento de diarreias. Essa proteção, contudo, diminui à medida que o aleitamento materno deixa de ser exclusivo. Estudos também reforçam que oferecer água ou chás ao bebê, o que era considerado inofensivo tempos atrás, dobra o risco de diarreia durante os primeiros seis meses.

  • Prevenção contra o surgimento de infecções respiratórias

Diversos estudos, de diferentes partes do mundo, inclusive do Brasil, constataram a proteção do leite materno contra infecções respiratórias, principalmente quando dado de forma exclusiva. Uma pesquisa revelou que as chances de um bebê de três meses que não foi amamentado ser internado com pneumonia ou outros quadros de infecções respiratórias é 61 vezes maior quando comparado com outro que recebeu a amamentação exclusiva. A amamentação também previne otites, pneumonias e é capaz de reduzir a gravidade dos quadros de infecção, tendo em vista que é uma das formas mais efetivas para se fortalecer o sistema imunológico na primeira infância.



Referências bibliográficas

Ministério da Saúde – “Atenção à Saúde do Recém-Nascido – Guia para os Profissionais de Saúde – Cuidados Gerais”, 2011.

Ministério da Saúde – “Saúde da criança: Nutrição infantil, aleitamento materno e alimentação complementar”, 2009.

Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria – “Manual de orientação

do Departamento de Nutrologia: Alimentação do lactente ao adolescente, Alimentação na escola, Alimentação saudável e Vínculo mãe-filho”, 2012.

World health Organization (WHO) – Effect of breastfeeding on infant and child mortality due to infectious diseases in less developed countries: a pooled analysis. WHO Collaborative Study Team on the Role of Breastfeeding on the Prevention of Infant Mortality.

Brown K. H. et al. Infant-feeding practices and their relationship with diarrheal and other diseases in Huascar (Lima), Peru, 1989.

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Ashraf, R. N. et al. Additional water is not needed for healthy breast‐fed babies in a hot climate, 1993.