Terrible two: a fase conhecida como "adolescência dos bebês"

DESENVOLVIMENTO

Terrible two: a fase conhecida como “adolescência dos bebês”

24 de novembro de 2017, por Debora Stevaux

Na tradução como "os terríveis dois anos", fase das birras compreende o período entre 1 ano e meio a 3 anos – é preciso paciência e informação


Aquele bebê calminho e obediente, aos poucos, vai se transformando em um serzinho birrão, resistente, que chora, grita, se debate e parece ter prazer em fazer exatamente o contrário que seus pais aconselham. Bem-vindo ao terrible two: embora a expressão seja usada para descrever exatamente a idade de 2 anos – o termo significa “os terríveis dois anos”, em livre tradução para a língua portuguesa –, esses traços do comportamento podem surgir desde um ano e meio e permanecer até que a criança complete 3 anos de idade. E, a má notícia é que não há como impedir que esses sinais apareçam.  

Especialistas e estudos científicos comprovaram que esses sinais da “adolescência dos bebês” surgem porque fazem parte do processo de reconhecimento da própria identidade dos pequenos, ou seja, é algo natural do crescimento e desenvolvimento infantil. Por isso, é necessário que eles “testem” os pais o tempo inteiro, para delimitar seus limites. Com todas as rápidas e gigantescas mudanças que ocorrem na primeira infância, os pequenos entram em crise, pois começam a se colocar como sujeitos e seres pensantes no mundo, com opiniões, desejos e vontades próprias. E ter o poder de decisão sobre isso ou aquilo, alcançado com uma dose pequenininha de independência, parece maravilhoso, desde a mais tenra idade.

Mas afinal de contas, como lidar com a adolescência do bebê?

Paciência e disponibilidade são as palavras-chave que devem permear toda e qualquer atitude dos pais e familiares mais próximos. Tanto que os especialistas recomendam que não se interrompa o bebê em um momento de crise, em que ele esteja muito birrento ou dando um chilique. É importante que a criança coloque para fora toda a angústia, mesmo que isso aconteça em um local público.

Isso não significa, por outro lado, que os pais devam ser coniventes ou apoiarem essas reações. Passado o “acesso de fúria”, a conversa é sempre a melhor forma de esclarecer e educar os filhos. Psicólogos e pedagogos recomendam que os pais se abaixem para ficar exatamente na altura do pequeno, um sinal implícito de que estão dispostos a dialogar. Daí vale a pergunta: “Por que você fez isso?”. Mesmo que o bebê não saiba expressar o que pensa  – porque a fala ainda é rudimentar nessa fase – ele entende perfeitamente a pergunta e é capaz de refletir. O diálogo propicia que os pais e os filhos lidem de forma construtiva e educativa com esses conflitos.

Quando os pais reagem à birra com o diálogo, mostram que essa é a forma correta de resolver angústias. Por isso, argumentam os especialistas, tapas e gritos não devem fazer parte das ferramentas de correção. Isso poderá se tornar, mais tarde, um catalisador para atitudes violentas.

A principal motivação da birra é chamar a atenção dos pais para que em nenhum momento ele deixe de ser o centro de toda a atenção e cuidado. Ensiná-lo a amadurecer confiante em si mesmo e no amor que os pais sentem por ele é um processo que demanda tempo, paciência e compreensão. Mas vale à pena cada respirada profunda e aquelas infinitas vezes que você conta até mil. Afinal, esta fase passa. Daí vêm as próximas. 



Referências bibliográficas

Centre for Community Child Health – The Royal Children’s Hospital Melbourne – (“The terrible twos and threes your child’s behavioural development”).