DESENVOLVIMENTO

Síndrome de Down: dicas para estimular o desenvolvimento do bebê

03 de julho de 2018 , por Equipe Danone Baby

O bebê com síndrome de Down pode desenvolver suas capacidades pessoais e avançar com crescentes níveis de realização e autonomia, desde que seja estimulado de forma correta e com regularidade.


Promover uma estimulação adequada é determinante para o desenvolvimento de uma criança com síndrome de Down em diversos aspectos, do desenvolvimento motor à comunicação. Ela precisa, porém, de mais tempo e incentivos da família, de especialistas e de professores para adquirir e aprimorar suas habilidades. Isso deve ser feito, sempre, por meio do brincar, de modo a contribuir para a aquisição de  capacidades importantes, como a interação com o meio, a atenção, a memória, os limites e a imaginação.

Como nos primeiros meses de vida o bebê passa muitas horas do dia dormindo e mamando, é importante aproveitar ao máximo os momentos em que ela está desperto para realizar os exercícios, sem deixar de respeitar o seu ritmo. Além de contribuir para o seu desenvolvimento, essa rotina também é uma oportunidade de fortalecer o vínculo entre os pais e a criança.

Com base no Guia de estimulação para crianças com síndrome de Down, do Movimento de Ação e Inovação Social (MAIS) e do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, damos a  seguir uma série de dicas sobre como estimular o bebê com síndrome de Down.

Quais são as características físicas e de saúde de um bebê com Síndrome de Down?

A hipotonia – tônus muscular baixo – que afeta todos os músculos do corpo e deixa o bebê mais ‘molinho’, tende a ser comum em crianças com síndrome de Down. Isso retarda o desenvolvimento e exige delas desafios maiores para diversos movimentos do corpo, como se mover, erguer a cabeça, apoiar-se nos braços, levantar as mãos e os pés e sentar. Flexibilidade exagerada nas articulações, braços e pernas mais curtos e mãos pequenas também são aspectos frequentes na criança com síndrome de Down. Ainda, cerca de 50% desses bebês nascem com problema no coração. Nesse caso, é preciso aguardar a liberação médica para iniciar as atividades de estimulação.

Qual o profissional mais indicado para orientar sobre os estímulos adequados?

Fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos têm capacidade de fornecer informações importantes sobre o desenvolvimento neurológico e sensorial-motor. Esses profissionais são essenciais na orientação e execução dos estímulos que visam favorecer no bebê aspectos como a comunicação e tarefas do dia a dia, como tomar banho, se vestir, comer e brincar. Em alguns hospitais, clínicas, creches e escolas existem atendimentos especializados, por meio de programas de desenvolvimento infantil, para crianças com síndrome de Down. Os pais devem procurar ajuda deles.

Que movimentos um bebê com síndrome de down é capaz de realizar nos primeiros três meses de vida?

  • Levantar a cabeça e ter controle sobre ela
  • Começar a usar as mãos como apoio fixo
  • Unir as perna e movimentá-las
  • Fixar o olhar em objetos ou pessoas e movimentar a cabeça

Que atividades são recomendadas fazer com a criança?  

Veja as recomendações de exercícios de acordo com a posição em que o bebê está. Quando no chão, colocá-lo sob um tapetinho de pano ou de EVA ou um cobertor. Se preferir realizar as atividades na cama, assegure-se de que não há risco de quedas. Um travesseiro pequeno e macio pode ser usado embaixo da cabeça.

Deitado de lado

O bebê deve ficar de lado, com o tronco, a cabeça e os braços alinhados junto ao corpo e as pernas dobradas. Realizar esta atividade dos dois lados.

O que fazer:

  1. Deixar um brinquedo a dois palmos do bebê, na altura entre o ombro e o peito.
  2. Chame a atenção do olhar da criança para o brinquedo ou para as próprias mãos.
  3. Ajude o bebê a levar as mãos até o brinquedo e, em seguida, do brinquedo até a boca.
  4. Use um brinquedo colorido chamando a atenção para que ele consiga tocá-lo, enquanto se mantém olhando para o brinquedo.
  5. Em todas as atividades, alterne o brinquedo de um lado para o outro. Isso estimula a criança a virar a cabeça.

Deitado de barriga para cima

O que fazer:

Passo 1

  1. Fique perto e bem de frente para o bebê. Chame sua atenção para que olhe para o seu rosto, especialmente, os movimentos de sua boca, fazendo com que a cabeça do bebê se mantenha reta.
  2. Cante, sorria e conte histórias para que ele continue olhando reto para você. Mude o tom de voz para estimulá-lo e deixá-lo mais alerta.
  3. Mostre um brinquedo por vez, de preferência, coloridos. Segure-o a uma distância que o bebê possa tocá-lo – primeiro, com as duas mãos juntas, depois a direita e então a esquerda.

Passo 2

  1. Explore diferentes texturas: escovas de bebê, lenços, esponjas, toalhas, veludos, papelão.
  2. Passe a textura na pele, rosto, pés e mãos do bebê. Faça com muito carinho e sensibilidade, bem devagar, para que o bebê sinta a diferença entre os toques em sua pele.
  3. Sempre introduza texturas novas a cada momento de estímulo. Não exagere no toque. Faça o suficiente para que seu corpo receba a mensagem necessária.

Deitado de barriga para baixo

O bebê deve ficar deitado na transversal sobre as pernas do adulto que realizar os exercícios, com os braços para fora da perna. A cabeça deve ficar na parte mais alta da perna.

O que fazer:

  1. Balance as pernas bem devagar ou levante uma perna e abaixe a outra. Segure um brinquedo acima do bebê para que ele se mantenha distraído, ou cante uma canção no ritmo do balançar das pernas.
  2. Use brinquedos coloridos, que façam barulho. Troque de brinquedos para manter a atenção da criança. Lembre-se de usar um brinquedo por vez.
  3. Um massageador elétrico pode ser usado, deslizando-o pelas costas do bebê nu (ao sair do banho, por exemplo).

Sentado no colo

No chão, sofá ou cadeira, coloque o bebê sentado entre suas pernas olhando para você. Apoie as costas dele com suas mãos entre as costelas e as axilas, fazendo com que coluna e pescoço fiquem protegidos.

O que fazer:

  1. Converse com o bebê, cante, imite sons de animais.
  2. Aproveite este tempo para demonstrar carinho e afeto e estimule essa relação olho no olho.

Exercícios para o dia a dia

» Troque com frequência os móbiles do berço para estimular a visão do bebê.

» Procure sempre conversar com ele, em tom de voz normal, explicando o que vai fazer com ele. Exemplo: Agora, vamos trocar a sua fralda, porque está suja de xixi

» Nomeie as partes do corpo do bebê, tocando e/ou brincando com elas. Por exemplo, dando beijos no pé ou mexendo delicadamente as mãos do bebê.

» Ao interagir, olhe sempre nos olhos do bebê e certifique-se que ele também esteja olhando para você. Assim que nasce, ele vê meio embaçado, mas distingue luz, formas e movimento e com o passar dos dias sua visão vai ficando mais nítida.

» Faça com que seu filho aprenda, seja pelas janelas abertas ou pelo contato com o meio exterior, a diferença entre o dia e a noite.

O que é a síndrome de Down?

É uma alteração genética que implica em um cromossomo a mais no par 21, por isso, a condição também é chamada de trissomia do 21. Em vez de 46 cromossomos (decorrentes dos 23 pares), a pessoa com síndrome de Down possui 47. Os cromossomos estão localizados no núcleo das células que compõem o ser vivo e consistem em estruturas compostas de DNA que, por sua vez, carregam os genes responsáveis por definir as características físicas particulares de cada indivíduo. Essa alteração genética afeta o desenvolvimento do individuo, determinando algumas características físicas e cognitivas.



Referências bibliográficas

Movimento Down – “0 a 3 meses”.
http://www.movimentodown.org.br/meu-bebe-chegou/0-3-meses/

Movimento de Ação e Inovação Social (MAIS) e Observatório de Favelas do Rio de Janeiro – “Guia de estimulação para crianças com síndrome de down”, 2015.
http://www.movimentodown.org.br/wp-content/uploads/2015/10/Guia-de-estimulação-PARA-DOWNLOAD.pdf