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Qual é a melhor idade para engravidar? Saiba mais sobre gravidez tardia

08 de maio de 2018 , por Equipe Danone Baby

Cada vez mais mulheres optam por adiar a maternidade. Confira os cuidados para garantir uma  gravidez tardia com segurança


Se décadas atrás o comum era ter filhos no máximo até os 29 anos, hoje, as brasileiras estão se tornando mães cada vez mais tarde. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em 2016, a gestação de mulheres entre 35 e 39 anos cresceu 46,8% em uma década – de 2005 a 2015. No mesmo período, também aumentou o total de grávidas entre 30 e 34 anos (37,8%) E a gravidez tardia é uma tendência mundial. De acordo com o Departamento de Saúde dos Estados Unidos, de 2000 a 2014, a proporção de mães de primeira viagem entre 30 e 34 anos aumentou 28%. Já os primeiros nascimentos para mulheres com 35 anos ou mais cresceram 23%.

Gravidez tardia

Gravidez tardia: com pré-natal adequado é possível garantir a saúde da mamãe e do bebê (Foto: iS

A idade avançada interfere na quantidade de óvulos, ou seja, na taxa de fecundidade feminina. Quando nascem, as mulheres trazem consigo cerca de sete milhões de óvulos. Esse número diminui significativamente na menarca, como é chamada a primeira menstruação, atingindo 500 mil óvulos. Estudos científicos também sugeriram que, aos 40 anos, o corpo feminino tem, em média, 25 mil óvulos. As células reprodutivas sofrem diretamente com as condições do ambiente e do tempo, isto é, também envelhecem e estão suscetíveis à ação da poluição e de outros fatores, como tabagismo e sedentarismo.

Para entender as implicações e os desafios desse fenômeno, respondemos abaixo as principais dúvidas sobre o assunto:

1. Existe melhor idade para engravidar?
Depende. Apesar de ser um processo fisiológico, a gravidez envolve outros campos da vida feminina, pelas transformações que acarreta. Do ponto de vista biológico, estudos científicos apontaram a faixa etária entre 20 a 29 anos como a ideal, já que mulheres abaixo ou acima dessa faixa etária estão mais suscetíveis a complicações ao engravidar.

2. O que é gravidez tardia?
Muitos estudiosos estabelecem como tardia a gestação que ocorre a partir dos 30 anos. Mas não há consenso sobre o termo, devido a mudanças constantes no perfil das gestantes no mundo todo. Por isso, alguns autores defendem outros parâmetros etários, como 35, 40 ou até mesmo 45 anos.

É importante lembrar que nem toda gravidez tardia é, necessariamente, de risco. Mas a idade avançada implica cuidados específicos devido à probabilidade maior de complicações, tanto para a mãe quanto para o bebê.

3. Como se preparar para engravidar aos 35 anos?
Antes da gravidez, é importante fazer uma bateria de exames para ver se está tudo bem. A realização de um pré-natal precoce e rigoroso também é necessário, com, pelo menos, seis visitas ao médico durante a gestação, de acordo com diretrizes do Ministério da Saúde.

4. Quais são os riscos de engravidar aos 35 anos?
Estudos científicos apontaram que mulheres grávidas com 35 anos ou mais têm maiores chances de desenvolver diabetes gestacional, mioma e hipertensão induzida pela gestação (HIG) – três condições consideradas graves por interferirem no desenvolvimento do bebê. Em casos críticos, elas podem até exigir a interrupção da gravidez. A hipertensão, por exemplo, é diagnosticada na gravidez em mulheres com idade igual ou superior a 35 anos de duas a quatro vezes mais frequentemente que em mulheres com 30 a 34 anos. Na gravidez, ela recebe o nome de pré-eclâmpsia e pode evoluir para a eclâmpsia, que é caracterizada principalmente por convulsões e põe em risco a vida da mãe e do feto.

A idade avançada da gestante também está associada à maior ocorrência de doenças genéticas, como a síndrome de Down. Segundo estatísticas, a incidência mundial é de um caso para cada 90 mil crianças nascidas vivas. Em gestações de mulheres com mais de 35 anos, ela aumenta de um para cada nove mil bebês. Outra complicação comum é a depressão neonatal.

Mulheres com 35 anos ou mais também tendem a ser submetidas à cesárea, já que há maior dificuldade no trabalho de parto como consequência das condições acima citadas. Deslocamento prematuro da placenta, prematuridade e abortamento entram para a lista de problemas recorrentes em gestações tardias.

5. Qual é a probabilidade de engravidar aos 35 anos?
Não há como saber, com exatidão, pois a fertilidade de cada mulher engloba várias características fisiológicas. Um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e publicado no Jornal da Associação Médica Americana em 2017, concluiu que, embora muito usados, os testes capazes de quantificar os níveis de reserva ovariana  – quantidade de óvulos disponíveis no corpo da mulher para fecundação – não determinam com precisão o quão fértil uma mulher pode ser.

Portanto, essa taxa não deve ser vista como o único indicativo da possibilidade de engravidar. O médico responsável pelo pré-natal precoce irá propor as soluções mais adequadas, segundo as características de cada mulher, para que a concepção seja bem-sucedida.

6. Como ter uma gravidez saudável depois dos 40 anos?
Além da importância de um pré-natal precoce bem feito, as dicas para ter uma gravidez tranquila aos 40 anos de idade são, basicamente, as mesmas de uma gestação em qualquer outra idade: alimentação saudável e prática regular de esportes e outras atividades físicas. Apoio familiar, muito carinho e compreensão por parte das pessoas que convivem com a grávida também são importantes. Mães que possuem diabetes ou hipertensão precisam de cuidados especiais, o que significa ir ao obstetra com maior frequência durante a gestação.

7. Gravidez tardia e fertilização: Quais procedimentos são indicados?
Existem, hoje, inúmeros tipos de tratamentos de fertilização. No caso específico das mulheres, muito se fala sobre o congelamento de óvulos, que vem demonstrando ser eficaz no auxílio do processo de fecundação. Quanto mais novos forem os óvulos, maior será o êxito do procedimento, de acordo com especialistas da área. Outro método conhecido é a inseminação artificial.

É importante se informar sobre as possibilidades oferecidas, mas vale lembrar: a escolha não deve ser feita somente pela paciente e precisa seguir à risca recomendações médicas.

 



Referências bibliográficas

Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Universitário Serra dos Órgãos (UNIFESO) – Teresópolis, Rio de Janeiro – “Complicações fetais em gestações tardias”, 2014.

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – “Gravidez depois dos 35 anos: uma revisão sistemática da literatura”, 2011.

Departamento de Enfermagem da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista – “Experiência da gravidez após os 35 anos de mulheres com baixa renda”, 2009.

Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) – “Gestação tardia e riscos perinatais”.

Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCM-UERJ) “Complicações maternas em gestantes com idade avançada”.

Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) – “Gravidez após os 40: Análise dos fatores prognósticos para resultados maternos e perinatais adversos”, 2006.  

Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos – Idade média das mães está em ascensão: Estados Unidos, 2000-2014”, 2016 (Em inglês)

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