DESENVOLVIMENTO

É possível evitar a prematuridade?

06 de junho de 2018 , por Debora Stevaux

Um dos maiores medos de todos os pais é, certamente, ter um bebê prematuro. E a tensão tem sua razão de ser: em 2015, essa foi a principal causa de mortes de crianças menores de 5 anos.


A prematuridade é um dos temas que mais preocupa os pais, de primeira viagem ou não. E essa tensão não é à toa: em 2015, essa condição foi considerada a principal causa de mortes em crianças com idade inferior a 5 anos em todo o mundo.

Um dos maiores medos de todos os pais é, certamente, ter um bebê prematuro. E a tensão tem sua razão de ser: em 2015, essa foi a principal causa de mortes de crianças menores de 5 anos. (Foto: iStock)

No Brasil, as complicações de saúde relacionadas à prematuridade ocupam o primeiro lugar no triste ranking de óbitos durante a primeira infância desde a década de 90. E mesmo que estudos da área tenham apontado uma redução significativa durante os últimos 25 anos, a taxa de prematuridade no país ainda corresponde a 11,5% do total de nascimentos anuais, ou seja, 345 mil crianças.

Vir ao mundo ‘antes da hora’ acarreta uma série de malefícios para o organismo do pequeno. Os mais comuns, geralmente, são: o baixo peso ao nascer, problemas respiratórios, neurológicos e cardíacos, anemia, icterícia e processos inflamatórios graves do canal intestinal.

Especialistas caracterizam como um bebê prematuro aquele que nasce com menos de 37 semanas de gestação. Alterações na placenta, como o descolamento prematuro, excesso de líquido amniótico, idade materna precoce ou avançada, infecções urinárias e genitais são as causas mais comuns.

Além disso, há uma série de fatores de risco que podem influenciar a vinda precoce dos bebês ao mundo. São eles: hipertensão, diabetes, obesidade, desnutrição, distúrbios emocionais, tabagismo e consumo de drogas lícitas e ilícitas.

A identificação de alguns quadros e a realização de procedimentos com orientação médica pode ser capaz de postergar o nascimento prematuro, segundo diretrizes divulgadas pelo Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São elas:

  • Identificação de quadros clínicos de risco ainda no primeiro trimestre de gestação e  tratamento médico adequado em casos de hipertensão, diabetes, infecções urinárias e genitais, obesidade, desnutrição, distúrbios emocionais, consumo de drogas lícitas e ilícitas (principalmente o cigarro) e transferência de mais de um embrião em casos de fertilização in vitro;
  • Identificação e tratamento adequado para mulheres que já tiveram antecedentes de prematuridade em gestações anteriores, ou que possuem o colo do útero curto (de tamanho inferior a 20 mm), ou que desenvolveram o encurtamento do canal cervical. Essa última condição é grave e capaz de dilatar e afinar o colo do útero somente com o peso do bebê. Mães que tiveram gestação gemelar também podem integrar o grupo de risco;

Tratamentos

Estudos apontam para a eficácia do uso de progesterona via vaginal a partir da 16ª semana de gravidez em mulheres que possuem antecedentes de prematuridade. Na maioria dos casos, as chances de parto prematuro reduziram em 50%.

Caso a mulher possua o colo uterino curto (o que acontece em geral com 3% das gestantes), e a condição seja diagnosticada pelo exame de ultrassonografia transvaginal durante o 2º trimestre de gestação, a administração do hormônio também é recomendada até a 36ª semana. Pesquisas comprovaram que, nesses casos, a prematuridade reduziu em 40%.

Se a gestante teve antecedentes de aborto espontâneo de repetição durante o 2º trimestre de gestação ou tenha sido submetida a partos prematuros extremos – bebês que nasceram com idade inferior a 28º semanas de gestação – devido ao encurtamento do canal cervical, pode ser necessária a realização de uma cirurgia para que a gravidez seja mantida.

A circlagem cervical, como é chamada tecnicamente, é um procedimento feito com anestesia raquidiana que fortalece o colo do útero através de uma sutura, com o objetivo de segurar o bebê até o seu nascimento. É importante ressaltar que, para qualquer dessas situações, o acompanhamento e análise médica do caso é essencial.



Referências bibliográficas

Global Burden of Disease Institute for Health Metrica and Evaluation (IHME)

Universidade Estadual de Maringá – “Fatores de risco para a prematuridade”, 2009.

Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – “Prematuridade: quando é possível evitar?”, 2013.

Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria – “Prevenção da prematuridade – Uma intervenção da gestão e da assistência”, 2016.

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