Desenvolvimento do bebê: Como são os 5 sentidos de um recém-nascido?

DESENVOLVIMENTO

Desenvolvimento do bebê: Como funcionam os cinco sentidos de um recém-nascido?

06 de junho de 2018, por Debora Stevaux

É através dos sentidos que descobrimos o mundo à nossa volta. Saiba quando e como eles se desenvolvem nos recém-nascidos e como estimulá-los desde a gestação.


Os cinco sentidos ajudam as crianças a descobrir o mundo a sua volta. No recém-nascido, o olfato, o paladar, a visão, a audição e o tato, se encontram em fase de amadurecimento, em diferentes níveis. Entender melhor o assunto ajuda os pais a oferecer os estímulos adequados, que podem contribuir para a ampliação das competências motoras, sociais e afetivas do bebê, e assim potencializar o seu desenvolvimento. Veja mais a seguir.

É através dos sentidos que descobrimos o mundo à nossa volta. Saiba quando e como eles se desenvolvem nos recém-nascidos e como estimulá-los desde a gestação. (Foto: iStock)

Tato

O tato ou o sistema tátil é o primeiro dos sentidos a surgir, antes mesmo do nascimento. Com cinco semanas de gestação, por exemplo, o bebê já possui o nariz e o lábio sensíveis, e essa sensibilidade rapidamente se estende para as outras regiões do corpo.

O tato pode ser dividido em quatro tipos de habilidades sensoriais: a capacidade de sentir o toque, isto é, sentir quando a pele está em contato com outro ser ou objeto; a de sentir diferentes temperaturas; a de sentir dor; e noções de posição e movimento do próprio corpo. Todas essas sensações se iniciam na pele, onde estão localizados os receptores, que captam os estímulos e transmitem ao cérebro as regiões do corpo que estão sendo estimuladas. Isso torna o tato um dos sentidos essenciais não só para o desenvolvimento da sensibilidade ao toque, mas para a progressão do sistema cognitivo adequado de uma forma geral.

Contudo, os recém-nascidos não são capazes de perceber esses estímulos com a rapidez de um adulto, bem como não conseguem organizar e interpretar as sensações. Somente quando eles completam seis anos de idade é que conseguirão processar essas informações de forma adequada.
O tato é um importante meio de comunicação e formação do vínculo entre a criança e os pais. Acalmar ou despertar o bebê, por exemplo, por meio do toque, é um hábito corriqueiro mas que contribui para o desenvolvimento emocional da criança.

Olfato

O sistema olfativo, responsável pela habilidade de sentir odor, começa a se desenvolver a partir da 28ª semana de gestação. Ao longo do terceiro trimestre da gravidez, a placenta se torna cada vez mais permeável, possibilitando que o bebê entre em contato com uma vasta gama de cheiros, mesmo dentro da barriga da mãe.

Ele também é capaz de identificar e associar à figura materna o cheiro do leite, tendo em vista que ambos se assemelham com o que ele sentia quando estava envolto pelo líquido amniótico. No entanto, apesar dos recém-nascidos já serem capazes de diferenciar os cheiros, tanto quanto os adultos, eles não possuem a percepção consciente dos estímulos. Portanto, suas respostas são norteadas pelo reflexo. Ao passo em que a audição e a visão ainda não se desenvolvem completamente, o olfato e o tato são sentidos que norteiam as experiências primárias dos bebês no mundo.

Paladar

O sistema gustativo, assim como o olfativo, também surge durante o terceiro trimestre de gestação, sendo um dos sentidos mais importantes para o bebê. Sua relevância não se resume só ao aspecto nutricional. O paladar proporciona experiências sensoriais que podem influenciar o pequeno emocionalmente.

Os bebês são capazes de sentir diferentes sabores antes mesmo de nascer, o que traz consequências para o seu desenvolvimento. Isso pode influenciar a preferência por determinados alimentos e ajudar a identificar a mãe, tendo em vista que muitos dos sabores presentes no líquido amniótico também estão no leite materno.

Os bebês têm preferência por sabores doces, que se assemelham ao sabor adocicado do leite materno, e provocam sensações prazerosas no corpo. Um estudo constatou que eles são capazes de reagir positiva ou negativamente para substâncias adocicadas ou amargas.

O momento em que o paladar mais se desenvolve, portanto, é durante a infância. Noções importantes como o que é ou não comestível são aprendidas gradualmente de acordo com a experiência própria e as orientações recebidas pelos pais e familiares próximos.

Visão

O sistema visual é um dos mais rudimentares nos recém-nascidos, isso porque ele é um dos únicos a não receber nenhum tipo de estímulo quando os bebês ainda estão dentro do útero da mãe. Apesar dos olhos captarem os pontos de luz, a retina e o cérebro dos bebês, nos primeiros meses de vida, não são capazes de processar as informações que chegam, como formas, cores e distância. No entanto, os pequenos conseguem identificar o rosto de pessoas de maior convivência e principalmente da mãe.

Durante os primeiros meses de vida, os bebês têm uma visão bidimensional, visto que o cérebro ainda não é capaz de identificar a profundidade dos ambientes. Somente quando eles chegam aos seis meses é que desenvolvem completamente as habilidades visuais primárias, como a identificação de profundidade espacial, cor, forma e controle do movimento dos olhos. Com um ano, a tendência é que a visão esteja funcionando em perfeita sintonia.

O sistema visual é um dos mais complexos de todo o organismo humano – o que justifica que ele ocupe uma maior parte do cérebro. E mesmo que se desenvolva tardiamente, quando comparada com a progressão dos outros sentidos, a visão é uma das formas mais estimulantes e enriquecedoras para a construção do mundo durante a primeira infância.

Audição

O sistema auditivo já está completamente formado cerca de 12 semanas antes dos bebês virem ao mundo. Portanto, quando nascem, eles já são capazes de preferir ou preterir determinados barulhos e ruídos. Naturalmente, os pequenos preferem ouvir a voz materna, principalmente quando a fala é mansa, de cadência lenta e musicada.

Diferentemente do que acontece com a visão, em relação à audição, os pequenos preferem estímulos mais complexos, como músicas. A audição também difere da visão em outro aspecto: ao passo em que o sistema visual surge mais tardiamente e se desenvolve com rapidez, a audição já está presente desde o início e vai se desenvolvendo gradualmente. Diversos estudos apontam que sua progressão está intimamente relacionada ao desenvolvimento da linguagem.

Outra questão importante diz respeito ao aspecto psicológico e emocional dos pequenos: a audição é responsável por estruturar a fala, uma das formas mais expressivas que temos para colocar nossas emoções para fora. Durante os primeiros meses de vida, ouvir também é uma das únicas formas dos bebês de conseguirem desenvolver noções espaciais através do volume e da frequência das vozes de ruídos.



Referências bibliográficas

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo – “Desenvolvimento Típico na Primeira Infância”.

Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Fernando Pessoa – “Conhecimento dos pais acerca das capacidades sensoriais dos recém-nascidos”, 2009.

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – “Desenvolvimento sensorial típico”.

Universidade de São Paulo – Reunião Clínica: Perda auditiva e atraso de linguagem.

Eunice Kennedy Shriver National Institute of Child Health and Human Development (NICHD) – Experience with a flavor in mother’s milk modifies the infant’s acceptance of flavored cereal, 1999.