DESENVOLVIMENTO

Cesárea: quando a cirurgia é indicada e como funciona a recuperação?

18 de maio de 2018 , por Debora Stevaux

O Brasil ocupa o 2º lugar no ranking mundial de cesáreas, mas a operação só é indicada quando a vida da mãe ou do bebê correm risco durante o trabalho de parto.


De acordo com estatísticas divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e reunidas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em 2017, o Brasil ocupa o 2º lugar no ranking mundial de cesáreas. Somente na rede pública, cerca de 55% de todos os nascimentos são feitos pelo procedimento cirúrgico. Já nos hospitais particulares, os dados alcançam 84% do total de partos.

O Brasil ocupa o 2º lugar no ranking mundial de cesáreas, mas a operação só é indicada quando a vida da mãe ou do bebê correm risco durante o trabalho de parto. (Foto: iStock)

Os números motivaram o Unicef a criar uma campanha pelo direito de nascer na hora certa, nem sempre respeitado por unidades de saúde e especialistas, segundo a instituição. Ainda de acordo com as diretrizes do UNICEF, a cesárea é indicada quando a saúde da mãe ou do bebê está em risco.

Mas afinal de contas, o que é a cesárea? É um tipo de parto feito através de uma intervenção cirúrgica que consiste em um corte na porção inferior do abdômen e no útero, abrindo, dessa forma, uma cavidade pela qual é realizada a passagem do bebê. Como se trata de um procedimento invasivo, sua indicação vale para alguns casos. São eles:

  • Quando a mãe desenvolve pressão alta (hipertensão) durante a gestação;
  • Quando é portadora do vírus HIV;
  • Quando o cordão umbilical é expelido antes do próprio bebê ou está enrolado no seu pescoço;
  • Quando a criança está numa posição atravessada ou sentada;
  • Quando a região onde a placenta está localizada impede, de alguma forma, a retirada do bebê;

Desvantagens da cesárea

Embora o procedimento seja indicado para situações especiais, há mulheres que escolhem a cesárea pela praticidade e pela ausência de dor e sofrimento durante o parto em si. No entanto, há uma série de desvantagens, e é importante estar a par de tudo isso antes de decidir.

Geralmente, a dor da cesárea é mais intensa e recorrente no puerpério (pós-parto) e as chances de infecção são maiores, visto que há uma incisão no corpo da mãe. A probabilidade de ocorrer hemorragia também se eleva, bem como a necessidade de eventuais transfusões sanguíneas. A recuperação tende a ser mais lenta, quando comparada ao parto normal. As chances da placenta se posicionar em regiões inadequados em gestações posteriores também se eleva. Estudos científicos apontam uma maior probabilidade de tromboembolismo, como  é chamado o coágulo sanguíneo de uma veia que se desloca para os pulmões.

Além disso, a cirurgia cesariana eleva as chances de problemas renais, pode dificultar a amamentação e implica em um maior tempo de separação entre a paciente e o bebê, logo após o nascimento. Implica também em mais tempo de internação hospitalar e maiores chances de uma futura cesárea nas próximas gestações. .

Recuperação mais difícil

A recuperação da cesárea é mais difícil e delicada, quando comparada ao parto normal. As pacientes permanecem por, no mínimo, dois dias no hospital até receberem alta. Se houve algum tipo de complicação, esse período pode ser estendido.

O repouso absoluto é recomendado durante os primeiros dias e não é indicado nenhum movimento brusco ou esforço por, no mínimo, 15 dias. Dessa forma, a mãe evita que os pontos se rompam. A parte mais dolorida da recuperação deve perdurar por uma semana, no entanto, isso varia de paciente para paciente. A dor e o desconforto podem estar presentes nos próximos meses, por se tratar de um procedimento cirúrgico.

O sangramento, tanto pelos pontos, quanto pela vagina, é um sinal de alerta, pois pode indicar rompimento dos pontos. Caso isso aconteça, é preciso procurar ajuda imediatamente. A barriga inchada de gases também é um dos sinais comuns do pós-operatório. Durante essa fase puerperal, podem ser administrados remédios anti-inflamatórios e antibióticos para que o organismo se recupere.

Não há evidências científicas de que a cinta modeladora ajude na recuperação. Se você praticava exercícios físicos antes da gravidez ou decidiu dar o pontapé inicial após o nascimento do bebê, converse com seu médico sobre as recomendações. Normalmente, atividades físicas que não demandam tanto esforço, como caminhada, podem ser feitas depois de um mês da operação.

A anestesia

O procedimento cirúrgico é realizado sob o efeito da anestesia, que é aplicada entre duas vértebras da coluna da futura mãe para que ela não sinta as dores da incisão. A anestesia age na região mediana e inferior do corpo, ou seja, do peito para baixo.

Classificada de três formas, a anestesia pode ser raquidiana, também conhecida como raqui – aplicada no espaço subaracnóideo, que fica entre uma vértebra e outra; peridural – injetada entre as vértebras da região lombar, no espaço epidural; ou de duplo bloqueio (utiliza a raquidiana e a peridural em conjunto). A escolha do tipo depende de vários fatores, portanto, o especialista deve levar em consideração o quadro clínico da paciente, a evolução do trabalho de parto e o histórico de cada uma.



Referências bibliográficas

Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) – “Quem espera, espera”.

Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina – “Vivência do parto normal ou cesáreo: Revisão integrativa sobre a percepção de mulheres”, 2012.

Ministério da Saúde – Secretaria de Atenção à Saúde – “Diretrizes de atenção à gestante: A operação cesariana”, 2016.

Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz – “Parto cesáreo: quem o deseja? Em quais circunstâncias?”, 2003.

Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas – “A Operação Cesárea no Brasil. Incidência, Tendências, Causas, Conseqüências e Propostas de Ação”, 1991.

Revista Brasileira Enfermagem – “Parto normal e cesárea: representações sociais de mulheres que os vivenciaram”, 2014.

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