Dá para evitar o ciúme? Como preparar a criança para a chegada do irmão

COMPORTAMENTO

Dá para evitar o ciúme? Como preparar a criança para a chegada do irmão

23 de novembro de 2017, por Debora Stevaux


Pode até ser que um irmãozinho ou irmãzinha seja o pedido mais frequente do primogênito ou, se a criança ainda for bem pequena, talvez nem se dê conta durante a gravidez da mãe de que haverá um novo bebê em casa. O fato é que, a partir do momento em que o novo morador se aloja, o ciúme é inevitável.

Mas há algumas atitudes dos pais e dos familiares que podem amenizar a situação e ajudar a fazer com que o momento seja o mais harmônico possível. Listamos 9 dicas, com a colaboração de Deborah Moss, neuropsicóloga e mestre em psicologia do desenvolvimento infantil pela Universidade de São Paulo (USP):

1. Seja sincera e sempre diga a verdade

Saber sobre a chegada do irmão certamente vai gerar um turbilhão de sentimentos e emoções na criança, independentemente da idade. Mas é importante que seu filho saiba desde o começo para ir amadurecendo a ideia de que em breve terá um outro serzinho em casa e que ele precisará dividir a atenção da mãe, do pai e de outros familiares. “O que não pode é disfarçar, fazer de conta que não aconteceu nada, que tudo vai permanecer igual, porque não vai, vai ser diferente. E isso não significa que vai ser ruim”, diz Deborah.

ciúmes

2. Use livros para introduzir o tema

As narrativas são sempre ricas para dar notícias. Há uma infinidade de livros divertidos e extremamente educativos que abordam o universo lúdico do pequeno. Alguns exemplos são: “Quero Nascer de Novo”, da Editora Saber e Ler, “Eu Só, Só Eu”, da Editora Peirópolis, “Para Que Serve Uma Barriga Tão Grande”, da Editora FTD, entre outros. “Na primeira infância, tudo precisa ser muito concreto, por isso é importante falar que o irmãozinho já existe, mesmo que ele só vá tomar forma quando, de fato, sair da barriga da mãe”, explica a neuropsicóloga.

3. Seja compreensiva com seu filho

Comportamentos regressivos como fazer xixi na roupa, chorar demais e até mesmo balbuciar palavras como se fosse mais novo são praxe quando uma criança pequena descobre que ganhará um irmãozinho. São formas de chamar a atenção, afinal ele ainda não sabe lidar e está com medo do que está por vir. Converse bastante com seu filho e o incentive a demonstrar seus sentimentos e emoções. “Você também pode dizer coisas como ‘Nem sempre é fácil ser o irmão (ou irmã) mais velha, mas é legal ter com quem brincar’”.

4. Faça com que ele participe do processo inteiro

É essencial que o bebê se sinta importante no processo. Portanto, mesmo antes de o irmão nascer, designe a ele pequenas tarefas e sempre consulte sua opinião, desde a montagem do quartinho até a escolha do nome. Desta forma, ele verá que não perderá por completo a importância, muito pelo contrário, e aprenderá a se preocupar e a cuidar do pequeno ou da pequena desde cedo. Mostrar fotos de quando ele ainda era pequeno é uma excelente estratégia de reconhecimento.

5. Divida suas tarefas com seu companheiro ou companheira

Esta é uma dica de ouro: quanto mais seu filho estiver habituado e próximo do seu companheiro ou companheira, menos sentirá a sua falta no período em que precisar dedicar-se quase que totalmente ao segundo filho. Já vá buscando meios de estreitar a relação do seu primogênito com o responsável por ele durante esse período. Esclareça que precisará ir até o hospital dar à luz ou, caso vá ter o bebê em casa, também explique como será. Quanto mais a criança estiver informada, menos lacunas serão deixadas para que ele preencha com insegurança e ciúmes.

6. Evite grandes mudanças

Mesmo com muita explicação e cuidado, é natural que a cabecinha do bebê esteja uma bagunça. Por isso, evite mudanças drásticas como mudança de casa, de escola e até mesmo o desfralde. O ideal é que, caso a gravidez seja planejada, essas mudanças sejam feitas com um intervalo de seis meses antes da notícia do novo irmãozinho ou irmãzinha.

7. Sempre se refira ao segundo filho como uma pessoa

Usar o nome próprio facilita no processo de aceitação do bebê e também auxilia na materialização do indivíduo na cabecinha do pequeno. Por exemplo, se for uma garota diga: “Olha só como a fulana mexe o pezinho na barriga da mamãe, ela quer brincar”.

8. Não deixe o primogênito de escanteio

Continue brincando com ele, de preferência, num horário exclusivo. Ele provavelmente estará carente e com ciúmes, por isso é importante que os hábitos e a rotina da família vá mudando aos poucos, não de forma brusca, sempre com muita conversa e esclarecimento.

9. Sempre exalte valores como a capacidade de dividir

Esta é uma das experiências mais fascinantes de ter irmãos: aprender a dividir. Por isso, sempre reforce que cada um é especial e diga que ama os dois da mesma forma. Repita isso inúmeras vezes, como um exercício. Quando seu segundo filho já puder brincar, incentive brincadeiras entre os dois como jogos e brincadeiras a dois. “Aprender a esperar, a dividir, a conviver, são valores fundamentais que podem ser muito bem desenvolvidos com a irmandade”, conta a psicóloga, que acrescenta que não há melhor idade ou a mais indicada do primogênito para ter o segundo filho: “Depende muito do momento em que a mãe, a família e todos estão vivendo. Há vantagens e desvantagens de engravidar pela segunda vez num intervalo breve ou longo após a primeira gestação. Mas o principal é que a criança saiba tudo o que está acontecendo para que, junto da família, consiga receber o novo membro cheia de carinho e amor.”