Como ter um tempo para si após o fim da licença-maternidade

COMPORTAMENTO

Como ter um tempo para si após o fim da licença-maternidade

13 de abril de 2018, por Debora Stevaux

As mães tendem a se colocar em segundo plano após parir; porém, ter um tempo para si é fundamental para o autocuidado e também pode ser uma excelente forma de prevenir a depressão.


Segundo dados divulgados em 2016 por um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp), uma em cada quatro brasileiras desenvolveu depressão pós-parto. A pesquisa entrevistou cerca de 20 mil mães e a doença foi desenvolvida no intervalo de 6 a 18 meses depois que pariram.

Fim da licença maternidade: As mães se colocam em segundo plano após parir; mas ter um tempo para si é importante para prevenir a depressão. (Foto: iStock)

As causas da complicação estão relacionadas às variações hormonais após o parto, que acabam por mudar drasticamente o sistema nervoso central, mas também há uma série de outros fatores, como a angústia e o cansaço.

Não há estudos científicos que comprovem a eficiência das medidas preventivas. Porém, ter um tempo para si mesma é uma das formas de fortalecer a saúde mental. Se a tarefa já não é fácil durante os meses da licença-maternidade, depois da volta ao trabalho parece ainda mais utópica. Mas não pode ser. Veja algumas dicas para conseguir respirar um pouco nessa maratona:

 

  • Reserve um tempo do seu dia para praticar algum esporte ou uma atividade física

 

A gente sabe que a correria da troca de fraldas, banho e momentos de ninar gastam calorias e deixam as mães exaustas. Mas isso não vale como exercício físico estruturado, aquele que você se concentra e esquece por um tempo do mundo ao redor. Por isso, mesmo que você não possa ir a uma academia, separe uns minutinhos para a atividade. Alguns aplicativos ajudar muito nessa adequação de rotina e permitem que a malhação seja feito até dentro de casa. Crossfit Travel, Daily Butt Workout e RunKeper são alguns deles, disponíveis tanto para o sistema Android, quanto para iOS.

 

  • Cuide de você mesma

 

Fazer as unhas, pintar ou cortar o cabelo, começar tratamentos de pele, enfim, atividades relacionadas à estética fortalecem a autoestima e não devem ser vistas como tarefas supérfluas. Ao menos uma vez na semana, separe um tempo para o cuidado que tinha consigo mesma antes da maternidade. Isso também é uma forma de “reencontro” importante, uma vez que é comum a recém-mãe sentir saudades da “pessoa que era antes de assumir tanta responsabilidades”. Nesse caso, também há apps que oferecem serviços de manicure, depilação, massagem e cabeleireiro delivery.  

 

  • Não deixe sua saúde mental de lado

 

É comprovado cientificamente que o cérebro feminino passa por diversas transformações durante a gestação e após o parto, e as variações hormonais é uma das principais responsáveis por isso. Dispor de acompanhamento psicológico, portanto, é uma possibilidade que deve ser considerada. Também converse com familiares sobre suas sensações, percepções e sentimentos, principalmente se sentir que está precisando de ajuda. Não tenha vergonha.

  • Retome a vida social – nem que seja esporadicamente

Ter um tempo de convívio com os amigos, de preferência em “locais de adultos” que remetam à vida antes da maternidade ajuda a recarregar as energias. Além da conversa descontraída e da diversão, os benefícios se estendem: a mãe que se permite momentos de diversão tende a ter mais alegria e disposição para a rotina de trabalho fora e cuidados com o bebê. E isso nem precisa ser sempre. Um “vale night” mensal já faz aquela diferença.

E, por fim, não se culpe por “ter esse tempo só para você”. Tenha certeza de que uma mãe descansada e feliz consigo mesma tem muito mais chance de ter bons momentos junto ao filho.



Referências bibliográficas

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental – “Promoção da saúde mental na gravidez e no pós-parto”, 2014.

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) – “Factors associated with postpartum depressive symptomatology in Brazil: The Birth in Brazil National Research Study”, 2016.

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – “Saúde da mulher: boas práticas e autonomia após a alta clínica”, 2013.

Revista de Saúde Pública da Universidade de São Paulo – “Prevalência da depressão pós-parto e fatores associados”, 2006.